Cristina, 25 anos, Belo Horizonte, jornalista. Fala, lê, escreve e xinga em italiano, disfarça no francês e ainda apenas estuda inglês. Ama o jornalismo, mesmo que esse amor tenha como consequência a pobreza permanente. Adora internet, música, fotografia, cinema e literatura. Preguiçosa. Tem medo de aves como galinha, ganso e pavão. Ama a natureza, não joga papel no chão, vive sorrindo, se derrete à toa. Não se recusa a dançar um bom forrozinho.




Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009


Para o tempo

Não era esse o final para a minha historia. Sonhei que não havia acontecido, acordei e era real. A febre, a dor, o sentimento engasgado, o choro abafado. A alucinação incessante, o escape que não possuo. A tentativa de me apoiar ao momento, às coisas que não são minhas, à vida que não reconheço, às pessoas que não admiro. A dor veio mesmo para ficar, bater, doer, latejar. A surpresa que me acomete com a calma que não me é suficiente. A pressa pela definição, o ciúme pelo não dito.

Ficam os cães sem dono, o registrar do tempo, a incerteza do futuro, a ausência sofrida, a casa vazia, o projeto no papel, a garganta inflamada, a neve a cair, o dia cinza là fora, a chuva a molhar, a descompasso no caminhar. Fico eu a olhar o seu passar.


postado por: CRISTINA MEREU às 13:43
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